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Tecnologia e Cidades Inteligentes

Transformação digital não é modismo: é sobrevivência política

dez 2025·5 min de leitura·Por Danilo Velloso

Existe um argumento que gestores públicos conservadores adoram usar quando o tema é transformação digital: "Não vou investir nisso agora porque meu eleitorado não pede." O argumento parece pragmático. Na prática, é uma aposta de alto risco disfarçada de cautela.

O problema é temporal. Quando o gestor diz "meu eleitorado não pede", está descrevendo o presente, ou pior ainda, o passado. O eleitorado de 2028 será formado por pessoas que hoje interagem com bancos, compras, saúde e educação de forma completamente digital. O padrão de expectativa que elas carregam para o mundo privado não vai desaparecer quando entrarem em contato com a prefeitura. Vai criar frustração.

A expectativa que não para de crescer

Nos últimos cinco anos, o nível de serviço digital que as pessoas consideram normal subiu radicalmente. O cidadão que consegue abrir uma conta bancária em três minutos pelo celular, rastrear uma encomenda em tempo real e marcar uma consulta médica por aplicativo cria uma referência. Quando essa mesma pessoa precisa resolver algo na prefeitura e descobre que precisa comparecer fisicamente, trazer cópias de documentos e esperar em fila, a distância entre expectativa e realidade é enorme.

Insatisfação política nasce da diferença entre o que as pessoas esperam e o que recebem. O gestor que ignora transformação digital está aumentando essa diferença ano após ano.

O argumento do custo está invertido

Outro argumento comum é o do custo. "Transformação digital é cara." Mas o que costuma estar caro é a transformação feita tarde, às pressas, sem método. Prefeitura que digitaliza por pressão eleitoral um ano antes da eleição paga mais, implementa pior e colhe menos.

Transformação feita com planejamento, ao longo de um mandato, com priorização inteligente e uso de soluções que podem ser implementadas com o orçamento real disponível, custa consideravelmente menos. E ainda produz resultados que aparecem antes das eleições, não depois.

O que os melhores gestores entenderam

Os prefeitos que vieram figurar como referências nacionais em inovação pública não começaram como tecnólogos. Começaram como gestores que entenderam que a tecnologia era o caminho mais eficiente para fazer mais com menos, para mostrar resultado para o cidadão e para criar um legado que sobrevive ao mandato.

Eles não digitalizaram por modismo. Digitalizaram porque entenderam que a cidade que não se transforma perde competitividade, perde arrecadação, perde talento humano e perde a confiança do cidadão. E que no jogo político de médio prazo, perder confiança é perder eleição.

Transformação digital não é uma agenda de futuro. É uma agenda de hoje. O gestor que ainda está esperando o momento certo provavelmente já perdeu o melhor momento, que era ontem.

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