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Gestão Pública e Compliance

O cidadão mudou. A prefeitura não.

out 2025·5 min de leitura·Por Danilo Velloso

Existe um desconforto crescente que os prefeitos sentem mas raramente conseguem nomear. As pesquisas de satisfação com serviços públicos caem. A reclamação nas redes sociais cresce. O cidadão fica mais exigente. O que está acontecendo?

O que está acontecendo é uma lacuna que se abre em câmera lenta há uma década. O cidadão mudou. A prefeitura não.

O que mudou no cidadão

Nos últimos dez anos, o padrão de serviço que as pessoas experimentam no setor privado evoluiu radicalmente. Banco sem agência. Consulta médica por telemedicina. Imposto de renda em menos de dez minutos pelo celular. Rastreio de entrega em tempo real. Atendimento resolvido por chat sem esperar em fila.

Essas experiências criam uma referência. Uma expectativa de como serviços devem funcionar: rápidos, sem atritos, disponíveis 24 horas, com resposta imediata e sem exigência de presença física para o que pode ser resolvido digitalmente.

Quando essa mesma pessoa vai à prefeitura e encontra filas, papéis, formulários físicos e horário de atendimento das 8 às 16, a frustração não é com a prefeitura em si. É com a distância entre o que ela aprendeu a esperar e o que está recebendo.

O que não mudou na prefeitura

A estrutura de atendimento da maioria dos municípios brasileiros mudou muito pouco em substância. Talvez o papel tenha virado PDF. Talvez o protocolo seja digital agora. Mas o fluxo é o mesmo: o cidadão vai até a prefeitura, entrega documentos, espera prazo, volta para buscar resultado. Em muitos casos, ainda precisa reconhecer firma.

Isso não é negligência. É resultado de uma combinação de fatores: restrições orçamentárias, rotatividade de gestão, falta de quadro técnico especializado, cultura organizacional que resiste à mudança. Mas o impacto político é real independente da causa.

A implicação para a gestão

O prefeito que entende esse diagnóstico percebe que a exigência crescente do cidadão não é ingratidão. É a expressão de uma referência que o setor privado criou e que a prefeitura precisa, ao menos parcialmente, responder.

Não precisa ser tudo de uma vez. Não precisa ser caro. Precisa ser consistente. Uma ou duas melhorias por semestre que o cidadão efetivamente percebe, tempo de atendimento menor, serviço disponível online, resposta mais rápida, valem mais do que um grande projeto que demora dois anos para estar operacional.

A cidade que fechar essa lacuna primeiro vai se diferenciar politicamente. Não é sobre tecnologia. É sobre expectativa. E expectativa, hoje, é poder.

Comece pela visibilidade interna

Antes de entregar melhor experiência ao cidadão, o gestor precisa enxergar a prefeitura como um todo. O DIRECITY GOV cria essa visibilidade — e aponta onde estão os maiores gargalos de entrega.

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